penumbra lúgubre, névoa taciturna
mente noctívaga, retórica soturna
verbo mordaz numa métrica nocturna
dialéctica obscena, elegância impura
vim da derrocada ética, estética caótica
fauna narcísica, postura psicótica
cada sílaba cáustica, lógica neurótica
flow aristocrata com raiva apocalíptica
sou subproduto da escória metropolitana
voracidade insana, ambição maquiavélica urbana
vi fraternidade efémera virar trama cigana
hoje caminho ríspido, sem fé nessa fauna humana
catarse visceral no grave colossal
sub terram mental, discurso abissal
kick brutal, impacto orbital
eu transformo trauma em ritual fatal
voz sepulcral sobre o piano espectral
português marginal com requinte verbal
cada barra cirúrgica, veneno lexical
underground autêntico, não produto comercial
tenho vocabulário bélico, léxico hermético
semblante patibular, raciocínio frenético
olhar magnético, comportamento antiestético
e um desprezo crónico por rapper sintético
vim do caos litúrgico, cinismo sistémico
bairro periférico, ambiente pandémico
onde o puto cresce rápido e o sonho fica anémico
e o silêncio vale mais que discurso académico
rimas prismáticas, métricas matemáticas
cadência sísmica, punchlines enigmáticas
figuras dramáticas, línguas diplomáticas
mas eu parto impostores com verdades emblemáticas
sou frio, melancólico, quase filosófico
mas quando entro no beat fico iconoclástico
tom sarcástico, impulso bombástico
flow necrológico num ambiente cinematográfico
da penúria fiz império linguístico…
e do inferno nasceu o meu lado artístico.