[Verso 1]
Eu vinha de fundo, mundo em ruína
cara fina de quem já não acredita em rotina
alma ladina, mas ferida na esquina
vida assassina quando a esperança termina
Fui silêncio a mais, peso em excesso
amor em retrocesso, eu próprio em processo
disfarço o excesso, mas o peito confesso
que eu caio e regresso sem pedir sucesso
Rua ensinou: não há cá teatro
ou aguentas o prato ou ficas no mato
e eu fiquei no trato duro do retrato
de ser só humano num mundo ingrato
[Refrão]
Mas eu mudei por dentro sem pedir licença
dor virou presença, fraqueza virou sentença
e da mesma ausência nasceu resistência
eu era queda… agora sou consequência
Sou vento que levanta o que o tempo derruba
sou chama que muda sem pedir desculpa
sou voz que se escuta quando a noite se curva
sou paz depois da luta mais dura
[Verso 2]
Já não me enganam luzes de promessa fácil
nem abraço frágil que finge ser ágil
eu fiquei mais hábil no caos mais volátil
e fiz do meu fraco qualquer coisa de ágil
Tenho fado na fala, mas guerra no peito
e aprendi do jeito que ninguém tem jeito
que o que parte em mim também cria respeito
e o respeito nasce do que não foi perfeito
[Refrão Final]
E agora eu sou isso sem nome bonito
sou grito escrito no meio do infinito
sou queda que aprende o caminho mais bonito
levantar devagar, mas nunca vencido