acústicos no escuro, som sem moldura
rua sussurra e a verdade não dura
eu vim da fissura, da noite mais dura
onde a esperança aprende arquitetura
voz crua, rua nua, lua sem brilho
cada passo é risco, cada risco é trilho
eu não vacilo, distilo veneno lírico
boom bap no peito, trap no fabrico
vida é circuito, curto mas intenso
penso no caos e transformo em compasso imenso
silêncio denso, talento suspenso
mas eu rompo tudo quando avanço e compenso
som no peito, mente acesa
queda livre sem leveza
venho do fundo, sem certeza
mas faço do escuro a minha fortaleza
som pesado, pulso a bater
rua fala sem ninguém querer ver
quando eu entro faz o chão tremer
e o sistema tenta me prender
cresci entre sombras, sem nome, sem mapa
onde o sonho é fraco e a realidade tapa
cada frase que eu lanço é faca na etapa
não há palco seguro quando a mente se escapa
falam de glória mas nunca caíram no lixo
eu já perdi tudo antes de ter compromisso
por isso improviso, preciso e preciso
transformo o inferno num verso preciso
808 vibra, costela sente o impacto
cada linha que eu solto tem peso e contacto
não é só rap, é contrato com o pacto
entre o eu que eu era e o eu mais exacto
som no peito, mente acesa
queda livre sem leveza
venho do fundo, sem certeza
mas faço do escuro a minha fortaleza
underground vivo, não é tendência
é sobrevivência, pura consistência
cada palavra carrega evidência
do sítio onde a dor vira ciência
não peço espaço, eu crio pressão
cada rima minha rebenta o chão
se o mundo é frio, eu sou combustão
acústicos do submundo em ascensão
sem filtro, sem pose, só verdade crua
rua me fez voz… e a voz continua