Ouve o grave a bater no peito,
Isto não é lição de escola nem historieta para embalar menino.
É o filme da vida real, gravado a ferro e suor desde o delta até ao beco escuro.
Puxa o banco e escuta como a rua respira.
Tiro de manhã cedo quando o sol racha a casca,liga Honda bota lume vinho espera na tasca
no asfalto onde a bófia ronda e a treta não desbaca Flickr rip flica atraca corre hoje pebule de barca
o lodo é sempre o mesmo,
milhões na mão do conas que vive no cinismo e esmo tira virtude e fute por Erasmus Flappy nana com orgasmo
O mundo a arder lá fora, o Estreito em chamas vivas,
drones no ar.cortar as nossas derivas privas lose Midas donzelas come ripas tripas topas
Enquanto os graúdos negociam o petróleo e o aço,de argolas
o teso na biqueira conta tostões no abraço e pede esmolas
Não há pão para maluco, a fome aperta o passo,
e a moral da gentalha apodrece num só compasso.
Cavam a terra a fundo em Sutton Hoo o na esquina,
à procura do tesouro que a história contamina alquimia alcalina glória vitamina
O velho rasga o chão com a enxada,Rêgo cavada
enquanto o engatado rouba a glória na fachada de perto do chaparro a dentada
Casas fechadas a apodrecer no centro da cidade,
enquanto o fundo abutre especula sem piedade dedo aliaca de idonia maternidade
Dizem que a culpa é do imigrante que chegou à aventura,vida nova velha madura .
E à noite, quando a porta tranca e a sanha descontrola,
sexologia pura na cama que estica e rola.
Suor na espinha, foda crua sem amor nem recato,
pila , lençóis a chiar no meio do ato deitado
Enquanto na viela ao lado o pacote de conchadas
corre de mão em mão nas noites mal afamadas.
O dread com a pulseira espera o produto na curva,
a pistola na cintura para afastar quem perturba.
A cidade é um casino onde o pobre é sempre comido,
um jogo de cartas falsas num beco corrompido.
A rua não perdoa e a fita não mente, caralho.
Da guerra ao teto caro, a verdade está a nu.
Deixa o som ecoar até ao fim.