[Verso 1]
Dizes que falo demais do que já foi
mas o que tu vês em mim não se destrói
não é passado, é peso que dói
e eu não sei viver como se nada me corrói
Tu queres leveza, queres paz no olhar
mas eu venho de sítios que não sabem largar
há coisas em mim que não querem calar
e tu não sabes como me acompanhar
Dizes “eu gosto de ti, mas isso cansa”
como se a minha história fosse uma ameaça
mas eu não escolhi esta lembrança
ela escolheu-me a mim sem dar esperança
[Refrão]
Tu não me aguentas… não é amor, é pressão
é o meu passado a viver na minha mão
e tu queres futuro sem colisão
mas eu sou feito de queda e repetição
Tu não me aguentas… eu sinto no tom
cada vez que falas, perco o som
porque amar-me inteiro é forte demais
e eu não sei ser menos do que sou, nem sei ser mais
[Verso 2]
Eu não te peço para carregares o meu chão
só para entenderes que eu não sou ilusão
sou soma de tudo, não só versão
sou ferida aberta em evolução
E se isso te assusta, eu entendo bem
nem toda a gente fica quando a dor vem
mas não me peças para fingir que não tem
histórias em mim que ainda ardem também
[Outro]
Talvez não sejas tu… talvez seja eu
ou talvez seja o peso do que aconteceu
mas se amar-me exige esquecer quem eu sou
então nunca fui amor, só o que sobrou