Diz-me se também reparas
quando a minha mão procura a tua sem querer,
se aquele segundo a mais no olhar
também te faz esquecer o que ias dizer.
Diz-me se guardas pequenas coisas
que ninguém acharia importante,
a maneira como tu ajeitas o cabelo,
o teu riso quando ficas sem resposta,
os teus olhos quando finges que não olhas.
Eu guardo até o que não devia.
Entram devagar, tornam-se difíceis de tirar.
Diz-me...
quando chegas a casa,
ficas a pensar no nosso último abraço?
Diz-me se repetes certas frases na cabeça,
como quem volta a uma rua
só para passar outra vez pelo mesmo lugar?
Diz-me com verdade.
Se tiveres medo, diz-me.
Se tiveres saudade, diz-me.
Se quiseres ficar, não precisas perguntar.
Fica.
Diz-me que ainda há espaço,
mesmo que seja pequeno.
Diz-me que entre nós
não morreu aquilo que sentimos.
Diz-me sem palavras,
se as palavras te custarem.
Eu sei ler-te nos olhos
quando eles não se fecharem.
Há noites em que imagino
como seria acordar contigo sem pressa,
dividir o café, a manhã, a preguiça,
e não precisar de inventar assunto,
porque estar contigo já me chega.
Quero conhecer os teus dias maus,
não apenas a versão que sorri.
Quero saber onde dói,
diz-me onde escondes o medo,
onde precisas que alguém fique
sem tentar consertar-te.
Diz-me antes que a vida nos distraia.
Diz-me se quando estás comigo
também sentes
que o tempo devia andar mais devagar.