[Intro]
No sertão de cheiro de terra molhada, amanhece devagar
A roupa pendura no varal, o sol pinta o quintal de laranja e marfim
[Verse 1]
João sorri, a cara marcada de trabalho, a mandioca brilha na pilha
A máquina de descascar refleta o fogo no casco da cidade que ainda não chega
É a casa de raiz, onde o pão amassa a memória, onde a água canta no poço
Ao redor, as crianças correm atrás de ramos de milho, o gado ronrona no terreiro
[Chorus]
É perto da gente que cresce o sonho, é o riso que não se despede fácil
A comunidade segura na mão, cada vida cabe no abraço simples
O cheiro de fumaça e caramelo no ar, a cor do chão que guarda segredo
João escuta o coração dizer: hoje eu posso, hoje eu fico, hoje eu sigo firme
[Verse 2]
O zelo pela família é um mapa desenhado no rosto da mãe, na paciência do pai
A máquina vibra na oficina improvisada, entre ferramentas, cadê o brilho da manhã
O vizinho oferece milho, a filha pergunta do futuro, e o amigo comenta do peso da decisão
O pó do caminho levanta pequenas histórias que se cruzam no portão
[Chorus]
É perto da gente que cresce o sonho, é o riso que não se despede fácil
A comunidade segura na mão, cada vida cabe no abraço simples
O cheiro de fumaça e caramelo no ar, a cor do chão que guarda segredo
João olha para o céu, respira fundo, segura o tempo e decide ali
[Bridge]
Entre o orgulho e a humildade, cabe a escolha que acolhe a vida inteira
Não é adeus ao calor da casa, é passagem pelo que ainda pode ser
[Verse 3]
A decisão chega como a chuva que chega devagar, prometida no clarão do ribanceiro
Se vende a máquina, sim, para abrir caminho a novos passos, não para apagar o afeto
As vozes do bairro repetem que o que é nosso nunca se perde de vez
Porque amizade é raiz que não seca, é memória que não se vende
[Chorus]
É perto da gente que cresce o sonho, é o riso que não se despede fácil
A comunidade segura na mão, cada vida cabe no abraço simples
O cheiro de fumaça e caramelo no ar, a cor do chão que guarda segredo
João sorri, agradece, e a casa de raiz continua a respirar com ele
[Outro]
No final da tarde, o sol derrama dourado sobre a cerca, e a mandioca fica ali, esperando o novo caminho
A história continua nas panelas, nos passos lentos, nas mãos que ensinam a ser família