Fechas a porta.
A casa continua igual.
Só muda tudo.
Fica o café por acabar,
a chávena morna sobre a mesa,
o teu riso preso nas paredes,
como quem se recusa a ir embora.
Fica o teu perfume
escondido no meu casaco,
a almofada a guardar
o desenho do teu rosto.
A rua segue o caminho dela.
Eu sigo o meu.
Mesmo assim,
há qualquer coisa tua
que insiste em caminhar comigo.
Descobri que a ausência
não faz barulho.
Faz eco.
E o eco sabe exatamente
onde morar.
Quando voltas,
não sinto que chegaste.
Sinto apenas
que tudo regressou ao lugar.
Que o amor seja isso.
Não aquilo que levas contigo...
Aquilo
que fica
sempre comigo
Sempre
que vais embora.