T grande, temperamento pétreo, verbo sulfúrico,
bairro periférico, cenário quase apocalíptico,
miúdos hipnóticos no tráfico estatístico,
Portugal turístico mas o submundo é caótico.
Calçada húmida, névoa lúgubre na avenida,
sirene episódica corta a insónia da subida,
cada prédio arqueológico respira pólvora contida,
sobrevivência metódica numa cidade corroída.
Léxico cáustico, gramática de clandestino,
sou subproduto acústico do betão citadino,
putos vendem dignidade por um relógio fino,
e enterram a lucidez no pó crepusculino.
Rimas prismáticas, métrica cirúrgica e densa,
cada sílaba perfura mentalidade suspensa,
falsos ícones fabricam personalidade extensa,
mas na rua o currículo escreve-se na sentença.
T grande, presença sísmica, passada fúnebre,
olhares esquizofrénicos em vielas insalubres,
mães fazem preces silenciosas e lúgubres,
enquanto putos narcotizam cicatrizes insubres.
Bass cavernosa, ambiência necromântica,
Ritmo soturno com estética atlântica,
Portugal profundo em narrativa dramática,
lírica anatómica com postura emblemática.
Mitras na penumbra, scooters em fuga centrífuga,
cada conversa parece liturgia beligerante e lúcida,
há sangue na memória da calçada republica,
e a noite engole sonhos numa espiral centrifuga.
Não há glamour na tragédia suburbana,
há ansiedade crónica em cada mente urbana,
putos sem figura paterna procuram fama instantânea,
acabam fotografados numa estatística desumana.
T grande improvisa na personagem artística,
sou cicatriz linguística com cadência terrorista,
flow maquiavélico, estética fatalista,
voz da periferia ibérica niilista,
Alentejo mantém a minha alma viva.