Não foste tempestade...
foste abrigo depois do vendaval.
Chegaste sem fazer alarde,
e deixaste o mundo menos desigual.
Trouxeste luz às minhas madrugadas,
sem prometer milagres nem eternidade.
Há quem viva de palavras decoradas...
nós aprendemos a falar pela verdade.
No desenho calmo da tua face
encontrei o lugar onde a pressa adormece.
O amor não é aquilo que se diz...
é aquilo que o coração nunca esquece.
Se o destino escreve com tinta incerta,
nós respondemos com serenidade.
Porque amar nunca foi prender alguém...
Foi abrir a alma...
e chamar-lhe liberdade.
És a minha pele de saudade,
mesmo quando estás aqui.
Porque o amor verdadeiro
tem sempre vontade de descobrir.
És o meu porto sem correntes,
o meu silêncio mais feliz.
No teu abraço aprendi
que o infinito também tem raiz.
Não te prometo palácios de vidro,
nem um céu onde nunca chova.
Prometo-te o pão repartido,
e a coragem de começar de novo a cada aurora.
Quando a vida nos trouxer inverno,
hei de acender primavera no teu olhar.
Porque quem ama não foge do tempo...
Aprende a florescer dentro do temporal.
Quero envelhecer ao ritmo do teu riso,
ver as rugas tornarem-se memória.
Porque a beleza nunca foi ausência de idade...
Foi a soma de cada capítulo da nossa história.
Se um dia o mundo nos chamar loucos,
deixa que fale sem nos compreender.
Há amores que precisam de aplausos...
O nosso basta-lhe acontecer.
Dá-me a tua mão...
Não para te salvar.
Mas para caminharmos lado a lado,
até os nossos passos deixarem de ser teus e meus...
...e passarem a ser nossos.
És a minha pele de saudade,
o verso que Deus me confiou.
Não és metade da minha vida...
És a paz que a minha vida encontrou.
Se um dia me faltar a voz,
que o teu olhar fale por mim.
Porque o amor não se mede pelo tempo...
Mede-se pela paz que deixa dentro de nós,
quando o mundo inteiro chega ao fim.