*(Verso 1)*
Construí abrigos dentro de mim,
paredes feitas pra não cair,
mas quanto mais eu me protejo,
menos espaço há pra sentir.
Guardo pedaços como cristais,
transparentes, prontos a partir,
tudo o que eu não digo ao mundo
fica aqui… sem sair.
*(Verso 2)*
Há luz que entra pelas falhas,
mesmo quando eu quero esconder,
porque no meio das minhas sombras
ainda há vontade de viver.
E se eu baixar as defesas todas,
será que alguém vai ficar?
ou vão ver demais de mim
e escolher afastar?
*(Refrão)*
Sou feito de cristais e abrigos,
de força e medo ao mesmo tempo,
quero abrir, mas fico indeciso,
entre o silêncio e o sentimento.
Se me vires, vê com cuidado,
não é fácil ser assim…
mas se entrares no meu mundo,
não te percas dentro de mim.
*(Final)*
E talvez um dia eu deixe cair
as paredes que levantei…
e alguém veja nos meus cristais
mais do que eu mostrei.