chuva cai no vidro, neon na avenida
cara fechada, noite perdida
passos lentos, mente acelerada
a cidade nunca dorme, só fica calada
eu vi promessas morrerem cedo
amizades virarem medo
olhares vazios no metro lotado
cada um preso no próprio pecado
asfalto frio, coração quente
ninguém me trava, sigo em frente
voz na fumaça, alma resistente
português da rua, sangue quente
sub pesado faz tremer o chão
kick bate tipo perseguição
cada verso vem da pressão
cada linha é combustão
piano triste toca ao fundo
eco perdido no submundo
eu escrevo dor em cadernos velhos
com cicatrizes refletidas nos espelhos
não há heróis no meu bairro
só gente cansada do trabalho
mas mesmo no caos e na ruína
a minha voz continua viva
asfalto frio, coração quente
ninguém me trava, sigo em frente
voz na fumaça, alma resistente
português da rua, sangue quente
luzes baixas, mente acordada
raiva presa, alma carregada
acústicos feitos na madrugada
pra quem vive sem dever nada.