[intro]
(Pemba riscada. Atabaque. Fogo.)
Antes do diabo
Antes da cruz
Eu já era voz
TIPOZHIN
EDVERSO
[verso 1]
Cheguei antes da Bíblia, antes do sinhô
Sou mensageiro, sou movimento, sou caminho, sou quem
Me chamaram de demônio, me pintaram de chifre
Mas meu chifre é coroa, minha cauda é flecha, meu riso é vinho
Ogó na mão, falo de pé
Fertilidade não é pecado, é axé
Elegbara, dono da força, dono da rua
Ocê me quer bem, ocê me quer seu, ocê me quer seu
[refrão]
Laroiê, Exu!
Salve quem vem de fora, quem abre a porta
Salve a encruzilhada, onde tudo se encontra
Eu não sou mal, eu não sou bem
Sou o movimento, sou o que vem, sou o que vem
[verso 2]
Na esquina da vida, na esquina da morte
Cachaça, charuto, pipoca na porteira
O que pediram pro santo, chega primeiro em mim
Sem padê não tem festa, sem caminho não tem fim
Me disseram que eu era o capeta, que eu era o coitado
Mas meus filhos sabem: sou o que nunca foi domado
Pombagira comigo, saia rodando na calada
Mulher na encruza, coroa na estrada
[ponte]
Quem nunca teve medo de mim?
Quem nunca pediu proteção na esquina?
Quem nunca acendeu vela preta e vermelha
Sem saber que era eu que abria a sina?
[verso 3]
Sincretismo bruto, me esconderam atrás de santo
São Miguel, São Pedro, São Bartolomeu, que espanto
Me vestiram de diabo pra me calar
Mas na encruzilhada eu continuo a reinar
Bará, Lonã, Iná, Aluvaiá
Cada nome, um caminho, cada coroa, um lugar
Sou o dono do corpo, sou o dono da fala
Sou o que move, sou o que embala
[refrão]
Laroiê, Exu!
Salve quem vem de fora, quem abre a porta
Salve a encruzilhada, onde tudo se encontra
Eu não sou mal, eu não sou bem
Sou o movimento, sou o que vem, sou o que vem
[saída]
Eles tentaram me queimar
Me chamaram de diabo
Me riscaram da história
Mas toda encruzilhada
Toda esquina
Todo começo de rua
Ainda me chama
Mojubá
Exu
Laroiê
(Fogo. Atabaque. Silêncio. Movimento.)
EDVERSO
TIPOZHIN