[Intro]
Sombras na linha do horizonte, o vento muda de tom
Um campo antigo guarda o segredo do que consome
Os passos do cão ecoam, a fome já começa a pedir
E o pássaro voa baixo, papa-ovo no olhar a fugir
[Verse 1]
No campo esquecido, o tempo parece variar
A cidade fome nasce aqui, na fome que sabe devorar
O cão corre atrás do canto do pássaro que não quer parar
O filhote observa, o caminho é só pesar
[Pre-Chorus]
Fome se espalha, como o vento que não quer cessar
História antiga, mil bocas a clamar
[Chorus]
Fome que cresce na terra, fome que não tem fim
Corta o ar, rasga a noite, deixa o céu assim
O campo guarda o grito de quem não tem o pão
E o cão continua a seguir, guiado pela solidão
[Verse 2]
O cão volta-se para o terceiro sonho de caça
O filhote aprende a runa da fome que não passa
A cabana aparece, velho espera, larga a lança
Mas o cão avança, a porta não alcança
[Pre-Chorus]
Fome que dobra o tempo, fome que não tem razão
A casa treme, ecoa a velha canção
[Chorus]
Fome que cresce na terra, fome que não tem fim
Corta o ar, rasga a noite, deixa o céu assim
O campo guarda o grito de quem não tem o pão
E o cão continua a seguir, guiado pela solidão
[Bridge]
O velho encontra a cobra no silêncio da tarde
A mordida é o ponto de virada, o desespero que invade
A barriga reclama, o mundo parece pequeno
A cobra sela a sorte, finita e sem desculpo
[Chorus]
Fome que cresce na terra, fome que não tem fim
Corta o ar, rasga a noite, deixa o céu assim
O campo guarda o grito de quem não tem o pão
E o cão continua a seguir, guiado pela solidão
[Outro]
Ouço a história ecoar: fome que nasce, fome que fica
No campo antigo, a verdadeira fome ainda brilha
O velho e o cão, o filhote, o silêncio que cobra
E o pássaro segue livre, enquanto a fome mora