Nasci onde o frio ensinava a crescer,
Onde um prato na mesa já era vencer.
Vi lágrimas escondidas atrás do avental,
E um sorriso cansado a fingir que era normal.
Vi homens de costas partidas ao sol,
Mulheres de guerra sem nunca pedir colo.
A fome não faz perguntas, entra sem bater,
Mas também me ensinou a nunca me vender.
*(Pré-Refrão)*
Agora julgam pela roupa que visto,
Pelo passado que nunca desisto.
Mas quem nunca caiu não sabe o que custa,
Levantar a cabeça quando a vida é injusta.
*(Refrão)*
As minhas mãos não cheiram a perfume,
Cheiram a ferro, cimento e lume.
Foi com elas que ergueram ruas e chão,
Enquanto outros mandavam da secretária e do salão.
Respeita quem cava.
Respeita quem solda.
Respeita quem limpa.
Respeita quem volta.
Porque quando faltar quem faz acontecer,
Quero ver quem fica para o amanhecer.
*(Verso 2)*
Há quem fale bonito sem saber sofrer,
Há quem tenha estudos e não saiba viver.
E há quem carregue um mundo às costas sozinho,
Sem medalhas... sem palmas... só o próprio caminho.
Não invejo gravatas nem lugares de poder,
Só quero o respeito de quem sabe ver.
Que um homem vale mais do que o cargo que tem,
E a dignidade... ninguém compra a ninguém.
*(Ponte)*
Olham de lado... eu sigo em frente.
A verdade nunca precisou de gente.
Quem me conhece sabe quem eu sou,
Foi a luta da vida que me moldou.
*(Refrão Final)*
As minhas mãos contam a minha história,
Cada calo é uma pequena vitória.
Se um dia quem constrói decidir parar,
Não há discurso que levante um lar.
Porque o mundo esquece quem faz a fundação,
Mas sem essas mãos... não existe construção.
E enquanto houver força dentro do meu peito,
Vou exigir uma coisa...
Respeito.