Aqui está a letra, escrita no compasso do recortado e da toada, pra você declamar ou pontear na viola:
O Mutirão do Criador
(Introdução: Ponteio de viola caipira, lento e grave)
I
No tempo que o "nada" era tudo
E o escuro não tinha final
O Grande Violeiro do Espaço
Resolveu fazer o seu varal
Não usou régua nem compasso
Pra traçar o plano celestial
Limpou o terreno do vácuo
E plantou o bem contra o mal.
II
Bateu a mão no peito da viola
E a primeira corda que ele triscou
Foi um clarão de fogo e ouro
Que o dia do breu separou
Fez o sol, esse fogão aceso
Que a lida do homem abençoou
E a lua, lamparina dos triste
Que no alto do céu pendurou.
III
Depois veio o rastro do rio
Riscou o chão com a água benta
Criou o bicho, a flor e o espinho
E o vento que a nuvem sustenta
Mas o segredo da lida divina
É lição que a gente alimenta:
Fez o homem de barro batido
Pra ver se a soberba se ausenta.
(Refrão)
Ói o exemplo que a vida ensina
Nesse mundão de Nosso Senhor:
Viemos do chão, somos poeira
Seja o doutor ou o lavrador
Quem não tem raiz na humildade
Não colhe o fruto do amor!
IV
Paciência foi a ferramenta
Seis dias de suor e capricho
Pra cada estrela um lugar
Pra cada vivente um nicho
No sétimo, encostou a viola
E viu que não tinha cambicho
A obra tava pronta e perfeita
Do homem até o mais pobre bicho.
V
Então escuta, meu camarada
A lição que esse verso traz
Não queira ser mais que a terra
Pois dela ninguém foge jamais
Seja firme que nem o alicerce
Mas leve que nem o cartaz
Quem planta o bem no universo
Colhe a semente da paz.
(Finaliza com um toque de cordas soltas, sumindo devagar)