(Verso 1)
As velas sangram sobre o altar vazio,
Enquanto o vento recita tua oração.
Meu nome apodrece no mármore frio,
Escrito com lágrimas e solidão.
Os corvos conhecem todos os meus passos,
A lua se esconde por medo de olhar.
Desde que levaste contigo o meu abraço,
Nem a noite consegue me consolar.
(Pré-Refrão)
Te procuro entre ruínas,
Onde nem Deus ousou entrar.
Se existe vida depois da perda,
Por que eu continuo a te chamar?
(Refrão)
Dança comigo no fim da madrugada,
Onde as estrelas esquecem de brilhar.
Somos dois fantasmas sem morada,
Condenados apenas a lembrar.
Se o amor morreu em nossos braços,
Quem enterrou o coração fui eu.
Agora beijo o silêncio dos teus passos,
Como quem conversa com o céu.
(Verso 2)
As rosas vestem luto no jardim,
O inverno aprendeu teu sobrenome.
Cada espelho devolve apenas a mim
O rosto de alguém que perdeu o próprio nome.
As paredes repetem teu sussurro,
Como um salmo feito para ferir.
Minha alma virou um velho sepulcro,
Onde só a saudade insiste em dormir.
(Pré-Refrão)
Ainda deixo uma vela acesa,
Mesmo sem esperar teu voltar.
Há dores que não querem cura,
Só um lugar para descansar.
(Refrão)
Dança comigo no fim da madrugada,
Onde as estrelas esquecem de brilhar.
Somos dois fantasmas sem morada,
Condenados apenas a lembrar.
Se o amor morreu em nossos braços,
Quem enterrou o coração fui eu.
Agora beijo o silêncio dos teus passos,
Como quem conversa com o céu.
(Ponte)
Se um dia ouvires meu nome no vento,
Não olhes para trás.
Talvez seja apenas o eco
Do amor que ficou preso
Entre a última lágrima...
E o último adeus.
(Outro – quase sussurrado)
As velas se apagam...
O frio permanece...
E a catedral das sombras...
Ainda reza por nós...