Escrevo em pergaminho da minha mente,
tinta antiga que ainda sente,
nรฃo hรก tempo, sรณ corrente,
cada linha vive diferente.
Palavra nasce, palavra morre,
mas hรก algo que nunca foge,
fica o eco, fica o corte,
fica o peso da prรณpria sorte.
Sou histรณria sem bibliografia,
sou silรชncio que ainda guia,
sou memรณria que nรฃo se esfria,
sou noite presa no meio do dia.
Letra curva, destino torto,
sou comeรงo dentro do morto,
sou caminho sem conforto,
sou mapa rasgado no porto.
No meu pergaminho vive o que sou,
tudo o que fui, tudo o que ficou,
rasura antiga que nรฃo acabou,
verdade escrita que o tempo negou.
No meu pergaminho nรฃo hรก fim,
hรก tudo o que mora dentro de mim,
linhas antigas, destino ruim,
ou talvez tudo faรงa sentido assim.
Tinta seca mas nunca some,
cada palavra ainda consome,
hรก peso antigo no meu nome,
hรก fome dentro da minha fome.
Nรฃo hรก borracha neste papel,
nem corretor neste cรฉu,
sรณ aquilo que รฉ mais cruel,
sรณ aquilo que ficou fiel.
Escrevo leve, mas รฉ profundo,
carrego eras dentro do mundo,
sou um segundo que dura um segundo,
sou pergaminho perdido no fundo.
E se o tempo quiser apagar,
eu vou aprender a resistir lรก,
porque hรก coisas que vรฃo ficar,
mesmo quando tudo acabar.
No meu pergaminho vive o que sou,
tudo o que fui, tudo o que ficou,
rasura antiga que nรฃo acabou,
verdade escrita que o tempo negou.
No meu pergaminho nรฃo hรก fim,
hรก tudo o que mora dentro de mim,
linhas antigas, destino ruim,
ou talvez tudo faรงa sentido assim.