Nasci água funda num mundo de pedra,
olhar de silêncio, cabeça inquieta,
sinto demais, mas ninguém interpreta,
alma complexa em pele discreta.
Peixes no mapa, mas fogo no peito,
calmo por fora, caos cá dentro,
ando calado, mas vejo perfeito,
cada mentira perdida no vento.
Mudo de forma sem mudar essência,
carrego memória em cada presença,
há dor antiga na minha paciência,
há mar revolto dentro da consciência.
Falam de força como grito e ameaça,
eu vejo força em quem quebra e passa,
em quem cai fundo e mesmo cansado,
volta do escuro mais iluminado.
Eu vim da água, mas trago trovão,
emoção pesada em cada canção,
coração aberto, punho fechado,
mundo confuso, eu sigo acordado.
Maré interna, corrente invisível,
sinto o impossível como algo possível,
metade ferida, metade visão,
alma de oceano dentro da explosão.
Há noites inteiras dentro do olhar,
sonhos partidos no mesmo lugar,
gente vazia a tentar ensinar
quem sente o mundo antes de falar.
Sou sensibilidade em estado bruto,
transformo silêncio em som absoluto,
cada batida parece um murro,
cada palavra levanta o mundo.
Não sou de palco nem de personagem,
sou cicatriz viva feita mensagem,
tenho tempestade presa na calma,
e um universo escondido na alma.
Quem sente muito também se afoga,
mas aprende a respirar na derrota,
eu fiz da dor combustível raro,
agora até no escuro eu disparo.
Eu vim da água, mas trago trovão,
emoção pesada em cada canção,
coração aberto, punho fechado,
mundo confuso, eu sigo acordado.
Maré interna, corrente invisível,
sinto o impossível como algo possível,
metade ferida, metade visão,
alma de oceano dentro da explosão.