Escrevo a lápis porque a vida apaga,
cada traço meu também se estraga,
mas volto a fazer sem medo de errar,
há beleza no risco de recomeçar.
Linhas tortas dizem mais que o certo,
sou pensamento sempre aberto,
não há borracha que limpe o passado,
só entendimento mal desenhado.
Desenho mundos dentro da folha,
às vezes choro, às vezes não se olha,
às vezes rio do que imaginei,
outras vezes nem sei o que criei.
A lápis eu sou mais verdadeiro,
imperfeito, mas inteiro,
se apaga, eu volto a riscar,
é assim que eu aprendi a ficar.
A lápis, vida sem moldura,
erro vira assinatura,
tudo muda sem se perder,
a lápis é o meu ser.
Há desenhos que não têm nome,
há ideias que o tempo consome,
há rabiscos que viram sinal,
há silêncio que vira final.
Não é fraqueza ser corrigido,
é processo de algo vivido,
cada risco é uma memória,
cada folha escreve uma história.
E se o mundo me tentar apagar,
eu já sei como recomeçar,
a mão treme, mas não recua,
sou desenho que continua.
A lápis eu sou mais verdadeiro,
imperfeito, mas inteiro,
se apaga, eu volto a riscar,
é assim que eu aprendi a ficar.
A lápis, vida sem moldura,
erro vira assinatura,
tudo muda sem se perder,
a lápis é o meu ser.