Se tens pressa... passa.
Aqui ninguém corre por fama.
Senta-te.
A avenida conhece
mais nomes
do que qualquer mapa.
Pardais fazem barulho,
as rolas afinam o dia.
O café ainda nem abriu...
já a conversa fazia vigia.
Boinas. Sorrisos.
Dominó na mesa.
Cada ruga é um capítulo,
cada gargalhada uma certeza.
Há quem venha todos os dias,
sem faltar um só momento.
Não procuram um banco...
Procuram pertencimento.
Senta-te.
Desarma o peito.
Senta-te.
Esquece o defeito.
Há bancos
que não seguram madeira...
Seguram o peso
de uma vida inteira.
Um fala da bola,
outro da reforma.
Outro só acena...
e já muda a forma.
Passa um cão,
passa uma criança.
Passa uma vida...
fica a lembrança.
As folhas dançam
sem pedir licença.
O vento espalha
restos de presença.
Quem ouve aprende.
Quem cala percebe.
Nem tudo o que pesa
o peito escreve.
Há bancos vazios...
E bancos cheios.
A diferença...
Nunca foi a madeira.
Foi sempre
quem ali deixou
um pedaço da alma.
Não há medalhas.
Não há troféus.
Só mãos gastas
e chapéus velhos.
Um "bom dia"
dito com verdade...
vale mais
que mil amizades.
O sol bate forte.
A sombra resiste.
A avenida envelhece...
Mas nunca desiste.
Quando um dia
também fores velho...
Não contes os anos.
Conta os bancos
onde aprendeste
a ouvir.
Porque há lugares
que nunca pedem nada.
Só dizem...
Senta-te.