Nasci onde o mapa não grita,
este chão fala baixo e não mente.
Aqui o tempo não corre — insiste,
e cada rua conhece o meu nome em silêncio.
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Cresci entre a pedra quente e vento seco,
onde o olhar aprende cedo.
Aqui nada vem dado, tudo se segura.
Já fui miúdo perdido em esquinas pequenas.
Meus sonhos grandes demais para a rua entender.
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Já fiquei triste sem plateia,
levantei-me sem anúncio.
Uma terra que ninguém aplaude a queda,
Só respeita quem volta a pôr-se de pé.
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Vi o dia nascer lento em Santiago,
Santiago do Cacém
onde o castelo guarda histórias,
Lá já não precisam de ser contadas.
Ficam guardadas.
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Miróbriga ensinou-me isto:
o que está grande não desaparece,
muda a sua forma.
E eu também mudei.
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Não vim de brilho, vim de esforço.
Não vim de palco, vim de chão.
E o chão aqui não perdoa distração —
Tu aprendes, tu ficas parado.
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Hoje trago o Alentejo no peito,
como bandeira, como livro bom.
Não derrubam, aqui sustentam.
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Se me ouvires a rimar, não procures espetáculo.
Procura verdade em cada sílaba partida no meu cálculo.
Aqui não se finge vida.
Andamos a viver por cima de ortigas.
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E se um dia desaparecer do barulho do mundo,
vai sobrar isto:
Terra pequena por fora,
mas demasiado grande por dentro
para caber em qualquer lugar.