Nasci onde o horizonte nunca acaba,
onde o sol ensina a paciência
e a terra só dá fruto
a quem lhe entrega as mãos.
Foi aí que aprendi
que a palavra vale mais
quando anda de braço dado com o carácter.
Não corro atrás do brilho fácil.
Prefiro o pó dos caminhos
às pegadas que nunca saíram do sítio.
Quero ser homem de frente erguida,
daqueles que apertam uma mão
e deixam a promessa feita.
Quero amar
com a inteireza de quem não sabe fingir.
Quero aprender
até perceber
que a maior sabedoria
é nunca pensar que já se sabe tudo.
Quero vencer,
não por vaidade,
mas para honrar
quem acreditou em mim
quando eu ainda só era vontade.
Quero viver
sem passar ao lado dos dias.
Sentar-me à sombra no fim da tarde,
ouvir o vento correr pela planície,
e agradecer
o privilégio de cá andar.
Se cair...
levanto-me.
Porque a terra onde cresci
ensinou-me que nenhuma semente
rompe o chão
sem primeiro enfrentar a escuridão.
No dia em que a vida
me pedir contas,
não quero mostrar riquezas.
Quero mostrar caminhos.
Quero mostrar afectos.
Quero mostrar verdade.
E poder dizer,
sem baixar os olhos:
**fui fiel àquilo que sonhei.**
Porque, no fim,
não interessa o nome que deixamos escrito.
Interessa a marca
que deixamos nas pessoas.
E essa...
ninguém a leva com o vento.