Não tenho pressa de chegar.
Tenho pressa de não deixar a vida passar por mim.
Durante muito tempo pensei que viver era acertar em tudo. Hoje percebo que viver é continuar, mesmo quando o caminho deixa de fazer sentido por alguns quilómetros.
Nem todas as perdas são derrotas.
Nem todas as demoras são castigos.
Há dias em que a vida nos pede força. Outros apenas pedem presença.
Aprendi que a coragem não faz barulho. A coragem levanta-se de manhã, veste a roupa do costume e continua.
Também aprendi que a felicidade raramente entra pela porta principal. Costuma esconder-se num café demorado, numa gargalhada inesperada, numa conversa sem relógio, num abraço que chega sem ser chamado.
A vida não me deve nada.
Mas eu devo-lhe a tentativa.
Devo-lhe a curiosidade de descobrir quem ainda posso ser.
Devo-lhe a coragem de errar sem deixar de acreditar.
Não quero contar os anos.
Quero contar os instantes que me fizeram esquecer as horas.
Não quero acumular coisas.
Quero colecionar pessoas, lugares, silêncios bons e memórias que resistam ao tempo.
Quando chegar ao fim, não espero ter sido perfeito.
Espero apenas reconhecer o homem que fui.
E poder sorrir ao olhar para trás.
Porque, no fundo, talvez o verdadeiro sucesso nunca tenha sido vencer todas as batalhas.
Talvez tenha sido atravessar a vida sem perder a capacidade de agradecer.
E, quando a última página se fechar, que o coração tenha uma única certeza:
**Houve muito mais motivos para sorrir do que razões para chorar.**