Saudade daqueles anos escolares quando éramos colados, amigos efeminados, experimentos sociais à prova, provando juntos a mesma opressão e frutificando sem culpa aquela relação. Peles escuras e maquiagem, doce sabor das ações e reações, pureza no agir, aprendizado por instinto da vivência única exclusiva da natureza invertida.*
*Saudade de como éramos almas gêmeas sem namorar, vivendo amor de verdade, de quem se ama por conhecer o íntimo do outro sem precisar se tocar, só pelo olhar. Sentimento puro e genuíno ainda imaturo, verde como fruta jovem.*
*Saudade daqueles dias pós aula em que ficávamos deitados apenas nos olhando, aqueles longos minutos de conexão quando você buscava conforto em meu âmago. No campo sobre a grama, na tua casa sobre a cama, na rua sobre os bancos da praça. Fui seu primeiro companheiro desde nossa imaturidade, seu primeiro provar de algo que hoje já não te é mais novidade.*
*Saudade do que você foi. A vida adulta nos fez mal, longe do meu afago te tornou amargo. Não sei se por aqueles já caídos a nossa volta tentando impor regras na pureza do teu amor, ou se você apenas amadureceu e cansou de mim. Amadureceu e caiu do nosso galho. Uma fruta que apodreceu com a queda, te tornando um deles, mais um caído amargurado.*
*Saudade do que você terminou sem nunca termos começado. Esse galho que você cortou antes do tempo, estilhaçando esse sentimento no chão sem me dar chance de colher.*
*Saudade: não mais de você! Saudade daquilo que você já foi, desse fruto que você não quis nem me deixou comer.*