Olho a lua, não fala, observa-me,
rua fala baixo, sussurro conserva.
Quem corre por fora quer chegar primeiro,
quem pensa por dentro chega inteiro.
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Nasci onde o silêncio tem voz no betão,
Alentejo no peito, verdade na mão.
Não vi luxo, vi luta em construção,
cada passo aprendido sem explicação.
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Já quis ser maior só para ser ouvido,
hoje sei que o vazio também faz sentido.
Há gente que brilha por fora, engana o olhar,
por dentro não sabe onde se deve encontrar.
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A cidade pequena ensina atenção,
cada rosto gravado na mesma estação.
Não há multidão para esconder verdade,
cada gesto revela identidade.
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Olha a lua, não pede aprovação,
segue o destino sem justificação.
Filosofia simples no meio da rua,
quem sabe viver não precisa de bula.
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Já tropecei no ego, levantei razão,
aprendi que silêncio também é direção.
Nem tudo se diz, nem tudo se grita,
há força que nasce quando a alma medita.
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Se a vida pergunta, respondo devagar,
não tenho pressa de me justificar.
Quem é de verdade não precisa provar,
só continua… até se encontrar.
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Olha a lua outra vez, mesma lição,
quem é inteiro não pede atenção.