Se a manhã nascer leve,
quero ver o teu sorriso abrir o dia.
Se o céu vestir cinzento,
empresto-lhe a coragem que ainda houver em mim.
Não trago promessas douradas,
essas partem ao primeiro inverno.
Trago presença.
Daquela que permanece
quando o mundo desaprende a respirar.
Se a vida te ferir as mãos,
seguro o golpe antes que te alcance.
Se o chão fugir dos teus passos,
faço do meu peito caminho.
Não procuro dias perfeitos.
Procuro dias verdadeiros.
Daqueles em que um olhar basta
para calar o ruído do mundo inteiro.
Há amores que ardem depressa.
O nosso aprende o fogo,
sem deixar queimar a ternura.
Há noites em que o medo bate à porta.
Que bata.
Encontrará dois corações
com mais coragem do que receio.
Quando o riso te iluminar o rosto,
celebro como quem vê o mar depois da seca.
Quando tudo te cansa os ombros,
levanto o peso sem pedir aplauso.
Quero envelhecer na tua calma,
descobrir novos horizontes no mesmo abraço,
continuar a escolher-te,
mesmo quando o tempo mudar o espelho.
No fim,
quando tudo o resto perder importância,
não serão as palavras que ficarão.
Será a certeza tranquila
de nunca teres caminhado sem abrigo.
E eu...
em cada amanhecer,
voltarei a escolher-te,
Em cada anoitecer,
voltarei a escolher-te.