Nasci pedra bruta,
sem brilho, sem guia.
Foi a mão da luta
que fez a mestria.
Deram-me o peso,
guardei o compasso.
Onde vi desprezo,
ergui outro passo.
Falam de sorte.
Eu falo de chão.
Quem dobra a morte
não vende a razão.
O ferro enferruja.
A honra reluz.
Quem vive de pose
apaga a própria luz.
Não visto vaidade,
visto convicção.
Há muito barulho...
falta construção.
Se o vento me afia,
não me faz quebrar.
Pedra polida
aprendeu a durar.
No fim da viagem,
sem trono nem fama,
quero que digam:
**"Pesava mais o carácter
do que o nome que carregava."**