Há quem conte a vida
pela altura das paredes.
Eu prefiro medi-la
pela largura das mãos
que ficaram abertas.
Nunca me fascinou o ouro.
Sempre me intrigou
quem conseguia repartir o pão
sem perguntar o nome.
Há pessoas
que chegam vestidas de brilho.
Outras...
chegam com um sorriso
e iluminam a casa inteira.
Descobri cedo
que o valor de um homem
não mora na voz.
Mora naquilo
que faz quando ninguém repara.
Há palavras
que pesam menos
do que uma cadeira puxada
para alguém se sentar.
Há gestos
que valem mais
do que uma vida inteira
a pedir desculpa.
Se um dia
a memória me guardar,
não lhe peço estátuas.
Peço apenas
que alguém diga:
"Quando passava,
o mundo ficava
um pouco menos pesado."
Talvez seja isso
o verdadeiro luxo.
Não ter tudo.
Mas conseguir deixar
um pouco de nós
em tudo o que tocamos.