[Intro]
Sombras que não cabem num quarto, cadre de luz que cai de ponta em ponta
A memória guarda sob a pele o que ninguém vê, ninguém toca
[Verse 1]
Fragmentos me lembram: uma casa que não cabe na boca, portas que não fecham
Sou mapa que ninguém lê, rotas invisíveis no peito que só eu percorro
Vez em quando ouço o silêncio se aproximando, amarrando as palavras que não disse
[Pre-Chorus]
Eu carrego o que não cabe na voz, o peso que ninguém pode medir
O mundo sorri lá fora, e meu reflexo ainda brilha com cortinas de chuva
[Chorus]
É dor de quem vê o que os outros não veem, respirar em silêncio, peito a medir
Memórias partidas que eu organizo no escuro, para não deixar de existir
Sou ilha em meu próprio oceano, mesmo quando a maré parece querer partir
[Verse 2]
Cada lembrança é um vidro quebrado que mantém o brilho de uma vida inteira
Eu reparo com paciência de quem sabe tanto sobre tempo e distância
Mas ao tocar a superfície, o mundo parece tão completo — e eu, inteiro diferente
[Pre-Chorus]
Sou fio que não se desfaz, linha de tempo que não fecha o livro
O sorriso lá fora é só a cortina, atrás, meu silêncio aprende a resistir
[Chorus]
É dor de quem vê o que os outros não veem, respirar em silêncio, peito a medir
Memórias partidas que eu organizo no escuro, para não deixar de existir
Sou ilha em meu próprio oceano, mesmo quando a maré parece querer partir
[Bridge]
Eu fico aqui entre os pedaços, costurando o que ainda pulsa
Se tudo parece bem, é só a superfície que se aquece na brisa fria
[Chorus]
É dor de quem vê o que os outros não veem, respirar em silêncio, peito a medir
Memórias partidas que eu organizo no escuro, para não deixar de existir
Sou ilha em meu próprio oceano, mesmo quando a maré parece querer partir
[Outro]
Mesmo que o mundo sorria, eu carrego a paisagem invisível que me faz permanecer