[Intro]
Sussurros na garagem, o motor respira frio
A tela pisca sombras que crescem no vazio
[Verse 1]
O carro resmunga na noite, pneus contra o asfalto, um tremor
Vidros pingam silêncio, a noite prende a respiração
No volante, uma mão invisível parece ler o medo
Alguém que não sorri, apenas observa o segredo
[Pre-Chorus]
Cada lâmpada da rua parece uma vela de um túmulo
O rádio chiado canta histórias de um passado obscuro
[Chorus]
Ficamos sem chão, quando a presença se aproxima
Entre aço e vidro, o coração se inclina
Sombras no assento, olhos que não veem, não mentem
O medo nos acompanha, até o fim do chão que temem
[Verse 2]
A TV respira fundo, estática cospe olhos de alguém
A sala engole o tempo, o silêncio cresce também
Um avião que atravessa a janela não chega, para onde vai?
É o vento com uma voz de metal que tudo desfaz
[Pre-Chorus]
Cada ruído parece passos que não conhecemos aqui
A fuselagem da dúvida ranger como um punhal a sorrir
[Chorus]
Ficamos sem chão, quando a presença se aproxima
Entre aço e vidro, o coração se inclina
Sombras no assento, olhos que não veem, não mentem
O medo nos acompanha, até o fim do chão que temem
[Bridge]
Eles falam sem boca, apenas números a dizer
Que cada objeto guarda uma memória de poder
Carro, TV, avião — os símbolos que nos cercaram
Agora são prisões frias onde o futuro é o que nos encarou
[Chorus]
Ficamos sem chão, quando a presença se aproxima
Entre aço e vidro, o coração se inclina
Sombras no assento, olhos que não veem, não mentem
O medo nos acompanha, até o fim do chão que temem
[Outro]
A garagem silencia, o motor adormece devagar
Mas a presença permanece, pronta para voltar a nos mirar