Não te prometo permanência.
Prometo coerência.
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### Verso I
Tu entras como quem desafia a gravidade do instante,
e o mundo fica ligeiramente hesitante.
Não és calma — és perturbação elegante,
uma espécie de exactidão errante.
E eu, que fiz da distância um hábito disciplinado,
vejo-me subitamente desarmado.
Não por fragilidade,
E por esta lucidez.
Há presenças que impõem claridade
sem pedir altivez.
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### Pré-Refrão
O “sempre” não é vastidão.
É repetição com convicção.
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### Refrão
O nosso sempre não é dogma,
nem promessa escrita em pressa.
É permanência consciente,
recorrência que não cessa.
Não é eterno — é preciso.
Não é sonho — é compromisso.
Ficamos
sem proclamação.
Continuamos
sem autorização.
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### Verso II
Há entre nós uma tensão serena,
quase litúrgica, quase plena.
Não é paz — é arquitectura emocional,
um equilíbrio intencional.
Tu desarrumas a minha simetria,
eu organizo a tua geometria.
E nesse atrito subtil, quase mineral,
nasce qualquer coisa anormal.
Não conforto.
Mas verdade.
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### Ponte
Não te peço absoluto.
Peço continuidade.
Porque o sempre não vive de infinito,
vive de vontade.
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### Último Refrão
O nosso sempre não é linear,
é espiral a recomeçar.
Volta sem ser repetição,
permanece sem imitação.
Não precisa de destino,
só de direcção.
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### Final
Se um dia isto se dissolver no real,
não será falha — será natural.
E enquanto existir
entre o agora e o depois…
não será promessa.
Será acto a dois
Repetido.