Se amanhã não existir, eu digo hoje tudo,
sem filtro, sem medo, sem segundo mundo,
sem travão no peito, sem nó profundo,
vou viver inteiro neste segundo.
Se o tempo acabar no próximo olhar,
não guardo palavras para depois falar,
faço do agora o único lugar,
onde o amor não precisa esperar.
Quero rir mais alto, tocar mais fundo,
perder-me em quem me faz perder o mundo,
quebrar o silêncio, fugir do absurdo,
ser verdade crua, ser só eu no escuro.
Não deixo pendente o que sinto por dentro,
cada emoção tem o seu momento,
se amanhã falhar no próprio intento,
hoje eu sou tudo o que eu tento.
Sem amanhã, só este instante,
vida na mão, tudo é urgente,
digo o que sinto, intenso e ardente,
se for o fim, que seja presente.
Sem amanhã, não há depois,
só o agora entre nós dois,
tudo o que fica somos nós,
no fim do mundo dentro de nós.
Se eu desaparecer no último compasso,
quero deixar tudo sem embaraço,
abraços dados sem atraso,
verdades ditas sem cansaço.
Quero amar sem medo do fim,
como se o mundo coubesse em mim,
como se cada segundo fosse assim,
última chance de ser assim.
Não deixo silêncio onde havia voz,
não deixo “talvez” entre nós,
se o mundo cair, que caia após
eu ter dito tudo o que há em mim feroz.
E se amanhã não vier buscar-me,
que pelo menos hoje possa encontrar-me,
na intensidade de simplesmente dar-me,
sem nada ficar por guardar-me.
Sem amanhã, só este instante,
vida na mão, tudo é urgente,
digo o que sinto, intenso e ardente,
se for o fim, que seja presente.
Sem amanhã, não há depois,
só o agora entre nós dois,
tudo o que fica somos nós,
no fim do mundo dentro de nós.