Demorei…
não por falta de palavras,
mas por excesso de verdade.
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### Verso I
Demorei a escrever porque o que sinto não cabe em pressa.
Há coisas que exigem pausa, digestão, presença intensa.
Cada frase veio como quem atravessa resistência,
como quem procura ordem dentro da própria consciência.
Não foi falta de voz, foi excesso de interior.
Coisas que não se dizem à superfície do exterior.
Há pensamentos que não aceitam tradutor,
só aceitam tempo… e algum rigor.
E enquanto o mundo segue no imediato,
eu fico no detalhe do que não foi simplificado.
Porque nem tudo o que é sentido é leve ou linear,
há emoções que precisam de espaço para respirar.
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### Pré-Refrão
Demorei…
porque o que é real não se apressa.
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### Refrão
Demorei a dizer o que já vivia em mim.
Demorei a perceber que era mesmo assim.
Demorei entre o início e o fim…
porque tudo o que importa não nasce fácil nem rápido assim.
Demorei…
mas cheguei inteiro.
Sem atalhos, sem disfarce, sem ligeiro.
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### Verso II
Há uma beleza estranha na demora consciente.
No gesto que não cede ao impulso urgente.
Porque o que nasce apressado morre facilmente,
mas o que amadurece fica permanente.
Eu não escrevo para preencher silêncio vazio.
Escrevo para dar forma ao que já me invadiu.
E isso não obedece a relógio nem fio,
obedece apenas ao que resistiu.
E se demorei, não foi hesitação.
Foi alinhamento entre mente e coração.
Foi o tempo a ensinar interpretação,
foi a vida a exigir precisão.
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### Ponte
Há coisas que só fazem sentido depois de atravessar o atraso.
E há verdades que só se revelam quando deixamos o espaço.
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### Último Refrão
Demorei…
mas não falhei o caminho.
Demorei…
mas nunca estive sozinho.
Demorei entre o peso e o destino…
e hoje entendo cada passo que definiu o caminho.
Demorei…
mas era necessário.
Para que o que sinto fosse verdadeiro e necessário.