[Verso]
Elevadores cheios, olhos vazios
cada um fechado nos próprios ruídos
perfume caro, pensamentos perdidos
e silêncios maiores que os edifícios
Subimos andares sem sair do lugar
há gente cansada logo ao acordar
há quem sorria só por disfarçar
e quem já nem saiba como falar
Uma rapariga no espelho ajeita o cabelo
mas no olhar dela mora um inverno inteiro
um homem de fato parece dinheiro
mas leva o mundo a cair no cinzeiro
[Refrão]
E ninguém diz nada
só sobe e desce
como a vida acontece
Portas abrem
portas fecham
e há pessoas que nunca se atravessam
[Verso 2]
Eu fico no canto a observar detalhe
a forma como o silêncio se espalha
há almas bonitas em modo batalha
e ninguém repara porque ninguém falha
Piso vinte, piso três
cada um preso à sua vez
e no meio de tanta gente talvez
o mais sozinho daqui seja eu outra vez
[Outro]
Elevadores…
todos tão perto
e tão longe ao mesmo tempo