De Bragança eu vejo o céu,
Tu no Rio, perto do mar,
Entre nós há tantos quilómetros,
Mas o coração sabe encontrar.
Portugal e Brasil tão diferentes,
Palavras, ruas, jeito de falar,
Mas quando escuto a tua voz,
Parece que estás aqui a me abraçar.
Tu dizes que queres vir,
Mas tens medo de voar,
Até brincas que vais dormir
Com comprimidos pra não notar.
E eu também penso em te ver,
Cruzar o oceano sem parar,
Mesmo com receio do desconhecido,
Por ti eu aprendo a enfrentar.
E quando a saudade aperta forte,
Quando o mundo parece maior,
Há uma promessa que nos guia,
E faz o amor ficar melhor.
Olha a lua, meu amor,
Dois lados do mesmo luar,
Tu no Brasil, eu em Portugal,
Mas a lua sabe nos ligar.
Quando a noite vem chegar,
E a distância quer vencer,
A lua guarda o nosso segredo:
Eu amo-te e vou te ter.
Às vezes brigamos por bobagens,
Coisas que nem sei explicar,
Discussões sem sentido algum,
Que o vento leva devagar.
Eu sei que sou cabeça dura,
Já fiz asneiras, eu admito,
Mas mesmo quando erro feio,
Tu continuas no meu caminho.
Marrenta, tu és coragem,
Mesmo quando o medo vem,
E eu encontro força nos teus olhos,
Pra acreditar no nosso além.
Se o avião cruzar o céu,
Ou se eu atravessar o mar,
Nenhum medo será maior
Que a vontade de te encontrar.
Porque amor não mede distância,
Nem fronteiras pra passar,
Ele vive em cada sonho
Que ainda vamos realizar.
Olha a lua, meu amor,
Dois lados do mesmo luar,
Rafael Capela em Bragança,
Marrenta no Rio a sonhar.
E se o mundo nos separar,
Por oceanos sem fim,
A lua vai lembrar pra sempre
Que tu és tudo pra mim.
E quando o destino ajudar,
Não haverá mais despedida,
Só nós dois sob a mesma lua,
Vivendo a nossa vida.