Corremos tanto... já ninguém pergunta "para onde?"
Há quem compre o mapa... nunca descubra o horizonte.
Vivem de peito aberto... com o coração em modo anónimo,
O futuro chega cedo... o presente perde o autocarro.
O elevador sobe... o carácter fica no rés-do-chão,
Há quem vista ouro ao peito... e ferrugem na intenção.
A cidade acende néons... apaga constelações,
Trocam o calor de um abraço... pelo frio das confirmações.
Toda a gente quer palco... poucos sabem fazer silêncio,
Há vozes cheias de volume... vazias de fundamento.
O espelho conhece a cara... desconhece a identidade,
Andamos a colecionar dias... esquecemos a eternidade.
Faz uma pausa...
Nem todo o atraso é derrota.
Há comboios que se perdem...
Para encontrar a rota.
Faz uma pausa...
Até o rio abranda na curva.
A força nunca morou...
Na pressa da corrente.
Um dia...
Quando o barulho adormecer...
Descobres que a resposta...
Nunca esteve lá fora.
Sempre respirou...
Dentro de ti.