[Verso]
Orgulho no rosto, desgosto no bolso
passo afoito no betão gasto do poço
miúdo sem luxo, mas nunca sem estofo
cresci entre azares e copos ao almoço
Rua ensinou cedo: sorriso é disfarce
há abraço que nasce só para roubar-te
vi noites em Santo André a virar combate
e almas boas a perder-se no escape
Castelo lá no alto, peito cá em baixo
cada queda no bairro fez-me mais aço
fui perigo no traço, silêncio no espaço
mas nunca vendi o meu nome ao cansaço
[Refrão]
Tenho orgulho no barro dos meus passos
na dor que carrego amarrada nos braços
porque a vida bate forte nos fracos
mas eu fiz cicatriz virar abraço
E se a rua me chamou pro abismo
eu respondi com calma e instinto
porque homem a sério não vive de grito
vive de ficar inteiro no conflito