Senhor...
Não me dês uma vida fácil.
Dá-me só força...
Para passar pelas bocas de veneno.
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*(Verso I)*
Mil ficaram pelo caminho...
E eu luto para ficar de pé.
Não porque fosse mais forte...
Mas porque a vida nunca me deixou escolher.
Trouxe o pó agarrado às botas,
E o sol cravado nas costas.
As mãos falam por mim,
Antes da minha boca abrir.
Vi a fome entrar sem bater,
Vi lágrimas escondidas no escuro.
Vi gente boa a cair...
E gente falsa a subir ao muro.
Hoje caminho devagar...
Aprendi a falar menos.
Porque o maior barulho...
Vem sempre das bocas de veneno.
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*(Pré-Refrão)*
Falam de mim...
Como se me conhecessem.
Nunca carregaram...
O peso que eu carreguei.
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*(Refrão)*
**Bocas de veneno...**
Falam alto...
Sem saberem da minha guerra.
**Bocas de veneno...**
Olham de cima...
Sem nunca terem cavado a minha terra.
Deus...
Fecha-me os ouvidos...
Não me feches o coração.
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*(Verso II)*
Não invejo gravatas.
Nem lugares marcados.
Prefiro o cheiro da terra...
Ao perfume dos falsos.
Já dobrei ferro.
Já parti pedra.
Já trabalhei de sol a sol...
Enquanto muitos aprendiam a apontar.
Quem vive do suor...
Dorme descansado.
Quem vive da mentira...
Dorme assustado.
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*(Ponte)*
Se me querem ver cair...
Esperem sentados.
Porque quem me levantou...
Nunca foram eles.
Foi Deus.
Foi a minha mãe.
Foi o trabalho.
Foi a dor.
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*(Último Refrão)*
**Bocas de veneno...**
Continuem a falar.
Enquanto vocês inventam...
Eu continuo a levantar.
Se Deus caminhar comigo...
Não temo julgamento.
Porque a pior pobreza...
É viver...
Com a alma cheia de veneno.