As minhas botas...
não conhecem tapetes.
Conhecem barro.
E o barro...
nunca mente.
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*(Verso I)*
Trago o tempo cosido ao couro,
cada risco guarda um inverno.
Enquanto uns aprendem postura em espelhos,
eu aprendi-a no silêncio.
Há perfumes que escondem medo,
há suor que cheira a destino.
Vi homens perderem-se em palácios...
e encontrei gigantes no caminho.
Nunca invejei um trono.
Toda a madeira acaba em cinza.
Prefiro um banco gasto
onde a palavra ainda pesa.
As minhas botas fazem pouco ruído...
Mas conhecem atalhos
que nenhum mapa desenha.
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*(Pré-Refrão)*
Não confundas calma
com falta de fogo.
Há brasas
que nunca precisaram de chamas.
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*(Refrão)*
Botas velhas.
Passos novos.
Cabeça limpa.
Olhar sóbrio.
Não trago ouro.
Trago tempo.
E há fortunas
que nunca passaram por um banco.
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*(Verso II)*
Há quem conte notas.
Eu conto madrugadas.
Há quem vista respeito.
Eu visto verdade.
Vi muita gravata
apertar gargantas.
Vi muita mão calejada
abrir portas
sem pedir licença.
O ego gosta de altura.
A dignidade...
de profundidade.
Por isso nunca levantei a voz.
Quem sabe quem é...
não precisa de eco.
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*(Ponte)*
Se algum dia
o mundo esquecer o meu nome...
Que nunca esqueça
o peso dos meus passos.
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*(Verso III)*
Sou da cor da poeira
que fica depois da tempestade.
Não da poeira
que o vento leva.
Não trago coroa.
Nem procuro aplauso.
Porque quem vive para o brilho...
morre quando a luz se apaga.
Mas quem aprende
a caminhar na sombra...
faz do escuro
a própria estrada.
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*(Último Refrão)*
Botas velhas.
Alma inteira.
Olhos frios.
Consciência quente.
Que falem.
Que apontem.
Que subam.
Eu continuo
a caminhar.
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*(Final)*
No fim...
Todos deixam pegadas.
Poucos deixam caminho.