Não foste feita num dia bonito.
Nasceste entre noites que ninguém aplaudiu,
entre folhas amachucadas,
cafés frios,
e palavras que me recusavam a sair.
Há quem pense que te escrevi.
A verdade...
É que foste tu quem me foi escrevendo.
Conheces o peso da minha voz
antes mesmo de eu a ouvir.
Sabes distinguir um sorriso verdadeiro
de um daqueles que só serve para atravessar o dia.
Guardas lágrimas
que nunca chegaram ao rosto.
E risos
que ninguém percebeu de onde vieram.
Há pedaços meus
que nunca entreguei a ninguém.
Mas em ti...
ficaram todos.
Se algum dia perguntarem
porque existes,
não respondas.
Há sentimentos
que deixam de ser verdade
no instante em que precisam de explicação.
Fica apenas.
Como ficaste sempre.
Entre o silêncio
e aquilo que nunca consegui dizer.