[Verso 1]
Há manhãs em que o mundo abranda sozinho
o café arrefece devagar sobre o linho
e a claridade entra mansa pelo caminho
como se o tempo tivesse finalmente carinho
Abro a janela e deixo entrar o ar
não para fugir… apenas respirar
há uma diferença subtil entre existir
e verdadeiramente repousar
Passei metade da vida em sobressalto
como quem confunde vertigem com salto
agora encontro grandeza no intervalo
entre o silêncio e o som distante do asfalto
[Refrão]
Brisas…
dessas que não pedem licença
mas desalinhavam a tristeza
com delicadeza
Brisas…
a tocar leve na memória
como mãos invisíveis
a reorganizar a história
[Verso 2]
Hoje já não preciso de excessos
há mais verdade em afectos honestos
do que em discursos manifestos
ou em futuros demasiado apressados
Aprendi a gostar das pausas
da luz oblíqua nas casas
das conversas sem argumento
e da ternura sem cláusulas
Talvez a paz seja isto
uma sucessão de instantes breves
onde o coração deixa de lutar
contra tudo o que sente
[Outro]
E no fim do dia…
há brisas que não mudam o mundo
mas mudam completamente
a forma como o atravessamos