Mil anos em estase, o gelo quebrou
A relíquia viva de um metro e sessenta e três despertou
Fisionomia de quinze anos, mas o olhar é mel profunda
Carrega a cicatriz no olho esquerdo e uma dor que inunda
A mente jura que o massacre da família foi ontem, bem ali
Mas o tempo correu enquanto ela dormia por ti.
Cabelos negros, mecha branca, o selo da simbiose
O hanfu branco com arabescos cinzas é a sua dose
Mas o branco se suja na poeira da guerra e da confusão
Ela tira o hanfu, joga pro lado, sem hesitação
Fica só de wetsuit cinza, peça técnica de gola alta
Pronta pro combate ou pra preguiça que nunca lhe falta.
Os arabescos na pele acendem em luz branca incandescente
Brilho branco-cristalino, um enxame de estrelas na mente
Se a paciência acaba na fúria, o vermelho profundo avisa
Se sintoniza na terra, o dourado denso sinaliza
E no repouso a luz prateada suaviza sob a pele
Uma Avatar primordial que nenhuma regra compele.
O Time Avatar assiste em pura confusão fascinada
Essa força da natureza que caminha debochada
Ela ouve o chat em grupo que ninguém mais consegue escutar
Os sussurros constantes dos antigos reis do lugar
Tem o Vovô Wan, a Dona Botas, o Sermonista a falar
O Surfista e a Monja Quietinha para aconselhar.
Não usa força bruta, o contorcionismo selvagem é sua dança
Bloqueio de chi em larga escala, exércitos perdem a esperança
Ao seu assobio, Shiro cruza o céu como o Trovão Azulado
A coruja de quinze metros com olhos azul-elétrico de lado
Que guarda as tortas de açúcar com frutas silvestres na mala
Pra Naia comer deitada quando o combate se cala.
Ela é a tempestade milenar escondida na garrafa
Não joga o jogo dos elementos, ela dita o ritmo e abafa
A energia de Raava flui direto, sem filtro ou barreira
A própria força da criação marchando na terra inteira.