Passei anos a juntar estilhaços,
sem saber onde encaixava cada um,
há batalhas que não deixam estragos
E mudam quem somos.
Aprendi a desconfiar do aplauso,
há mãos que apertam só para medir,
há quem te chame irmão no fracasso
e desapareça quando te vê subir.
Já dormi com contas na cabeça,
já acordei sem saber como as pagar,
tenho o que não se compra:
a vontade de voltar a tentar.
Não foi sorte, foi insistência,
foi cerrar os dentes e avançar,
quando a vida fechou cada saída,
fiz da parede um lugar para escalar.
E quando chegar a hora,
quando tudo vier a julgamento,
não quero ouro, nem desculpas,
quero o peso do meu próprio tempo.
Ponham tudo sobre a mesa,
o que perdi, o que conquistei,
vais ver quem eu fui,
Vais ver que não me abandonei.
Vi gente trocar carácter por conforto,
e verdades morrerem por conveniência,
vi quem falava alto sobre honra
vender a própria consciência.
Eu também falhei, não escondo,
tenho contas que ninguém conhece,
e não deixei que os meus erros
decidissem o que eu mereço.
Há uma força que não faz barulho,
não precisa de plateia nem troféu,
é levantar quando ninguém repara
e continuar quando ninguém vê.
O juízo não seja no céu,
seja quando ficamos sozinhos
e já não conseguimos mentir
sobre os caminhos que escolhemos.
E quando chegar a hora,
quando tudo vier a julgamento,
não quero ouro, nem desculpas,
quero o peso do meu próprio tempo.
Ponham tudo sobre a mesa,
o que perdi, o que conquistei,
Vais ver quem eu fui,
Vais ver que não me abandonei.
Se amanhã for o último dia,
que me encontre com os olhos abertos,
não fui perfeito, fui inteiro,
com guerras que lutei por dentro.
A vida mostra cada dívida,
não me faz fugir,
depois de tudo o que perdi,
vitória foi não me perder de mim.