[Intro]
As luzes da sala tremem como poeira de tempo
Um retrato envelhece no bolso da mente
[Verse 1]
Sou o riso que escapa quando a memória se abre
Palavras que ninguém mais soletra a meu respeito
Pai, eu sou quase água que o vento desmancha
Quando o dia se esquece do meu rosto
[Pre-Chorus]
E tudo que resta é um brilho que não volta
Um eco que perde cor na moldura
[Chorus]
Você me chama pelos nomes que ainda lembro
Mas a foto desbota, e eu me apago no enquadramento
Se eu existir, é apenas no peso da lembrança
Uma sombra que dança na memória que o tempo apaga
[Verse 2]
Sou o segredo que o silêncio tenta guardar
O rastro de voz quase invisível no ar
Pai, a minha imagem fica menos clara a cada manhã
Como tinta que desbota com a manhã
[Pre-Chorus]
O passado sussurra como vento antigo
Promete a névoa de um cheiro de verão
[Chorus]
Você me chama pelos nomes que ainda lembro
Mas a foto desbota, e eu me apago no enquadramento
Se eu existir, é apenas no peso da lembrança
Uma sombra que dança na memória que o tempo apaga
[Bridge]
Se um dia eu for só silêncio entre as paredes
Que o arco-íris da memória não desfaça
Que eu permaneça em você, mesmo que desbotado
Um raio de você, no meu retrato quebrado
[Chorus]
Você me chama pelos nomes que ainda lembro
Mas a foto desbota, e eu me apago no enquadramento
Se eu existir, é apenas no peso da lembrança
Uma sombra que dança na memória que o tempo apaga
[Outro]
E quando as cores se vão, fico aqui, dissolvendo o tempo
Até que eu seja apenas um traço que o pai ainda guarda