Antes de saberes quem eu era,
já me ensinavas quem podia ser.
Chegaste pequeno... e, sem dizer palavra,
puseste o meu mundo inteiro a crescer.
Trouxeste manhãs onde havia cansaço,
riso onde morava a aflição.
Nunca foste peso nos meus ombros...
foste força
dentro do coração.
Quando a vida me apertou os dias,
foi no teu nome que encontrei abrigo.
Há homens que procuram um destino...
eu encontrei-o
quando caminhei contigo.
Afonso...
se um dia o mundo
te disser que não chegas...
não acredites.
O valor de um homem
nunca coube
na boca
de quem o julga.
Ergue a cabeça.
Olha em frente.
E lembra-te...
o teu pai
há de caminhar contigo,
mesmo quando
a estrada nos separar.
Não te posso prometer
dias fáceis.
Nem portas abertas.
Nem vitórias certas.
Posso prometer-te
outra coisa...
Nunca te deixes vender
por tão pouco.
Nunca deixes
que a pressa
te roube a bondade.
Nunca confundas
ser forte
com deixar de sentir.
Há quem vença
o mundo inteiro...
e nunca aprenda
a abraçar.
Se um dia
tropeçares...
não escondas as quedas.
Até as árvores
mais antigas
cresceram
contra o vento.
E nenhuma raiz
tem vergonha
da terra
onde nasceu.
Afonso...
quando a saudade
te chamar por mim...
ouve esta canção.
Cada palavra
leva um pedaço
do homem
que tentou
ensinar-te
a nunca desistir
de ser bom.
Porque o tempo
leva muita coisa.
Mas nunca levará
o orgulho
de te chamar...
meu filho.