[Intro]
A luz de janeiro chega baixinha, e eu fico aqui, sem voz, a observar.
Um ninho imaginário se ergue no ar, para guardar teu sonho de ficar longe.
[Verse 1]
Você entra pela rua como um suspiro de inverno, e eu aprendo a silenciar o meu pulso.
Cada olhar é uma porta que não se abre, cada passo teu é distância que me desafia.
Meu peito, uma praça sem lâmpada, exposta, esperando teu quase-visto.
[Pre-Chorus]
Se a cidade é o meu ouvinte, ainda assim não há echo para o teu retorno.
Eu guardo minha voz no bolso, deixo o silêncio ser meu abrigo.
[Chorus]
O amor fica mudo, como poste que não acende na rua sem fim.
Entre lembrança e sombra que volta à pele, eu ainda espero por você, enfim.
A distância canta baixo: venha, mas teu caminho já levou-te para longe.
[Verse 2]
O som se cala, a estação não tem saída, o trem não para, e eu fico aqui, quase inteiro.
Habitando o espaço que não é teu, sonho de estar em teu ombro, sem poder cruzar a linha.
[Pre-Chorus]
Meu farol é uma vela dentro do peito, tentando guiar-te pela névoa do talvez.
Mas tua porta permanece fechada, e eu danço com a sombra do que poderia ter sido.
[Chorus]
O amor fica mudo, como poste que não acende na rua sem fim.
Entre lembrança e sombra que volta à pele, eu ainda espero por você, enfim.
A distância canta baixo: venha, mas teu caminho já levou-te para longe.
[Bridge]
Se eu pudesse habitar teu espaço, seria apenas o ar que te cerca, quieto e fiel.
Se o esquecimento fosse real, ainda assim seria meu segredo: ficar até o último trem partir.
[Chorus]
O amor fica mudo, como poste que não acende na rua sem fim.
Entre lembrança e sombra que volta à pele, eu ainda espero por você, enfim.
A distância canta baixo: venha, mas teu caminho já levou-te para longe.
[Outro]
E fica a fé de um farol no mar, a chamar alguém que permanece distante, no silêncio do meu andar.