Não foi sorte... foi encontro no mesmo lugar.
O mundo corria depressa... nós ficávamos a ficar.
Um café entre as mãos... sem vontade de acabar.
Até o tempo pedia licença... para nos acompanhar.
Tu rias... eu aprendia a respirar.
A cidade fazia barulho... nós deixávamos passar.
Dois cigarros, uma lua... sem nada para provar.
Havia paz no teu abraço... sem ninguém a explicar.
Não era luxo... era simples de ficar.
O teu casaco no meu... quando a noite começava a apertar.
Os teus dedos nos meus... sem medo de largar.
Há amores que fazem festa... o nosso fez um lar.
Dávamos voltas sem destino... só para conversar.
Cada rua era pequena... havia tempo para dar.
Não contávamos as horas... deixávamo-las cansar.
A pressa perde força... quando alguém nos faz parar.
Beijava-te devagar... só para o mundo abrandar.
O teu perfume na roupa... recusava-se a acabar.
o banco do jardim parecia respirar.
Como se soubesse de cor... a maneira do teu olhar.
Se um dia tudo mudar... não me ouças lamentar.
Há memórias que nenhum inverno consegue enferrujar.
Levo a paz da tua presença... onde quer que vá parar.
Porque amar nunca foi prender... foi ter sempre onde voltar.
E foi em ti... onde aprendi a descansar,
não falo de casas nem ruas... nem de um qualquer lugar.
Falo de um abraço tranquilo... sem promessas a jurar.
às vezes uma pessoa, chega para o mundo mudar.