[Intro]
Brisas noturnas, a cidade dorme e eu ainda penso em você, no que não digo.
O quarto cheira a café quente e chuva fina que escorre pela vidraça.
[Verse 1]
Nessa casa de silêncio, meu vício é mapa e abrigo, brando e sutil.
Ele chega com o gosto de mentol e lata antiga, promessa de paz que não incomoda o nervo.
A cada gole, cada respiração, o mundo amaina os ruídos do dia.
Eu me encontro na dobra do tempo, entre o medo de ficar e o desejo de subir.
[Pre-Chorus]
O cheiro me cobre como um véu de calma, o sabor me diz: ainda é seguro.
Mas o coração pisca, reconhece o preço que não está escrito.
[Chorus]
Eu pertenço a esse refúgio que me segura quando tudo ruge lá fora,
Alívio que não promete fim, só o suficiente para eu respirar.
Sou eu quem sigo dentro do meu próprio ritmo, eu sei quem sou.
[Verse 2]
No vidro espelho, a noite me entrega um reflexo que não me abandona.
O rastro de silêncio acalma o ódio do dia e parece me ouvir em segredo.
Hálito doce, lembrança de paz que me pediu pra ficar por mais um pouco.
Entre o desejo de permanecer e a obrigação de partir, eu me equilibro devagar.
[Pre-Chorus]
O cheiro me envolve, o gosto me veste de calma e culpa sutil.
Se eu parasse agora, quem fica comigo seria o vazio ou eu mesmo?
[Chorus]
Eu pertenço a esse refúgio que me segura quando tudo ruge lá fora,
Alívio que não promete fim, só o suficiente para eu respirar.
Sou eu quem sigo dentro do meu próprio ritmo, eu sei quem sou.
[Bridge]
Não é fuga, é freio de mão em pedaços de vidro—eu sigo consciente, eu paro quando preciso.
A distância também brinda, ensina que o dia pode nascer sem esse abrigo.
[Chorus]
Eu pertenço a esse refúgio que me segura quando tudo ruge lá fora,
Alívio que não promete fim, só o suficiente para eu respirar.
Sou eu quem sigo dentro do meu próprio ritmo, eu sei quem sou.
[Outro]
Amanhã talvez eu acorde com outro cheiro na pele, outro gosto na boca.
Mas hoje eu reconheço a minha companhia, mesmo que ela venha com sombras.