[intro]
(Estática. Notificação. Silêncio de tela.)
Olhamos para trás
E julgamos todos
Agora, olhemos para nós
TIPOZHIN
EDVERSO
[verso 1]
Somos a era do clique, do like, do scroll infinito
Conectados com o mundo, sozinhos no mesmo teto
Temos todo o conhecimento na palma da mão
Mas esquecemos o que é sentir, o que é coração
Salvamos o mundo pelo feed, postamos luto
Enquanto o vizinho morre de fome, viramos o rosto
Ativismo de sofá, revolução no stories
Enquanto a bomba cai, enquanto a criança morre
[refrão]
Humanidade contemporânea
Que julgou o passado com olhar de Deus
O que dirão de nós
Quando formos ruínas também?
[verso 2]
Construímos prédios que tocam o céu
Mas moramos em caixas, sem olhar pro véu
Tecnologia que salva, tecnologia que mata
A mesma tela que educa, isola e maltrata
Corremos atrás de likes, de números, de aprovação
Mas perdemos o afeto, perdemos o irmão
Capitalismo que move, capitalismo que esmaga
Quem não produz não existe, quem não tem não se paga
[ponte]
Dizemos que evoluímos, que somos mais civilizados
Mas olha os muros que erguemos, os que deixamos de lado
Dizemos que aprendemos, que não repetimos erros
Mas o ódio ainda vende, a guerra ainda gera lucro
[verso 3]
Falamos de sustentabilidade, de salvar o planeta
Enquanto o plástico afoga o mar, a fumaça não se aquieta
Geladeira cheia, comida no lixo
Enquanto o outro procura o queijo, o osso, o fixo
Criamos inteligência que pensa mais que nós
Mas será que ela tem alma? Será que ela tem voz?
Ou será que ela olha pra gente e vê
A mesma espécie que um dia vai se perder?
[refrão]
Humanidade contemporânea
Que se achou o ápice da evolução
O que dirão de nós
Quando sobrar só solidão?
[verso 4]
Temos a cura, mas não chega pra todos
Temos a ciência, mas negam os fatos, os modos
Temos a arte, mas sufocam o artista
Enquanto o algoritmo empurra o que o mercado insiste
Somos a geração que sabe o preço de tudo
Mas o valor de nada, o sentido do mundo
TIPOZHIN